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*Coluna Agridoce*



CD novo na área!



Escrito por Amanda Corrêa às 21h21
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Gentileza

  

            Todo dia ele levantava, colocava sua roupa no melhor estilo hippie e saia atrás de flores que mais tarde seriam ofertadas para todos os tipos de pessoas de policiais, trombadinhas, prostitutas e até freiras. Fez isso durante sua vida inteira e nas horas vagas escrevia poemas, palavras de amor em pontos e viadutos da grande cidade que todo dia acordava mais feliz por ter tantas palavras gentis pintadas onde todos podiam ver, inclusive as pessoas que passavam nos ônibus.

Com a correria do dia-a-dia sua poesia, suas flores e sua educação foram atropeladas por pessoas sem tempo de ler um bom poema, de receber belas flores e de ouvir pelo menos um bom dia ou um boa tarde. Durante anos a grande cidade foi agraciada por ele e nunca deu conta de sua importância, até que um dia alguém sem um pingo de sentimento ou de poesia apagou das pontes e viadutos aquelas palavras que faziam com que, mesmo sem notar, as pessoas tivessem um dia melhor. Pintaram tudo de cinza.

E por ter se dedicado uma vida inteira, trabalhosamente, para que suas palavras e poemas fossem vistos pelo maior número de pessoas possível, o desgosto o matou deixando a grande cidade triste e menor porque já não se podia ver, nem ler suas palavras de gentileza.  



Escrito por Amanda Corrêa às 21h18
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